segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Recôndito


Morreu após dez passos.
Atravessou o intimo
e provou do pecado.
Sentiu o sal, o doce e o gosto recôndito.
Não chegou a alma.
Não arrepiou.
Não foi suficiente.

Foi:
Impermanente
Efêmero
Inconstante
Finito
Ocasional
Perecível 
Intermitente
Instável
Infrequente
Fugaz
Momentâneo
Interino
Descontinuado
Passageiro

Nada mais doloroso do que se negar o âmago da vida.
Seguiu com as suas feridas
Rastejando por comida
Se afogando em bebidas
Se esvaindo
da tentação.



sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

20 e poucos.

Aos 20 e poucos anos, recomeçar.
Mas dizem: é cedo, menina. 
E eu recomeço.
Sempre recomeço.
Nas etapas da vida.
Nos planos do rascunho.
Nos desejos insanos.
Nas vontades escondidas.
Nas frutas não mordidas. 
Na vida não vivida.
Eu recomeço. 


domingo, 9 de janeiro de 2022

Você! (parte 1)

Aos poucos ele foi preenchendo espaços vazios em mim e transformando em bonitos lugares, é como o verde indescritível que a chuva da as plantas, tudo estava seco e marrom, então a chuva começa a cair e em poucos dias a vida renasci, as folhas ficam verdinhas e as flores brotam e destilam perfurme e beleza. Foi assim que aconteceu comigo. Depois de você comecei a exalar um perfume diferente, mais doce, mais frutal e mais alegre. 

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Eu com o Eu.

Hoje eu desisti.
Não é fácil desistir.
Pra desistir é preciso coragem.
E eu desisto de (nós).

Aviso que estou indo 
Partindo para um reencontro
Com alguém que conheço bem
Um reencontro do eu com o eu. 

Não desejo me perder mais
O caminho a trilhar
A companhia a encontrar 
É o Eu com Eu. 


A mocinha que vi ontem.

Andando pela calçada ao lado da pracinha,
passou por mim uma mocinha de vestido azul, cabelo trançado, sapatinho branco com um laço dourado.
Um perfume doce pairava no ar, o vento dançava e ria.
Parecia que queria te tirar pra dançar e o sol brilhava mais forte. O azul do céu ficou incontestável e teus cabelos eram beijados pelo vento que risonho dançava ao som dos passarinhos que te observavam passar. A mocinha andava faceira e ia ao encontro de alguma coisa, e ao olhar de longe a mocinha entrou na biblioteca, saiu com um livro de capa amarela. A mocinha saltidando pela calçada até sua casa, entrou e fechou a porta do seu quarto. O mundo ficou em silêncio, a mocinha abriu o livro, agora vai viajar. Retorna em breve, quando o livro fechar.
 

Escrevi com amor e ódio.

Depois de você eu aprendi a me amar. Eu decidi dar todo o meu amor pra mim, ser um pouco narcisista, pecar e ser também egoísta.

Ser meu maior tesouro. Ser meu abrigo, porto seguro e lar.
Me olho no espelho e contemplo o que você deixou de gostar e não questiono seus motivos. Sou diferente. Diferenciada. Você não saberia lidar.

Vou me dar meu amor, que ontem transbordou e eu precisei jogar fora o que sobrou. Escorria amor por todo lado, joguei fora por puro egoísmo, por puro amor genuíno a mim.

Garanto que serei a melhor amiga do meu amor, companheira, namorada e amante. Todas as minhas melhores versões em uma só. E só pra mim. Só por mim.

Você não saberia lidar. Sou livre, quero o livre, o despido de passado, limpo e arrumado. Uma casa nova esperando o novo morador. 

Você acumula coisas. Bobagens e inseguranças. Se afastou por covardia. Por mesquinharias. Poderia ser e não foi.

Bata suas assas e não volte. Voe alto e pra bem longe, arrume outro ninho e despeje nele a sua bagagem. Encontre poemas bonitos e fáceis de ler. Você não sabe lidar com o diferente, intenso e ardente.

E eu darei o meu amor pra quem sempre me amou: Eu.
Que sei lidar. Que sei me amar. Que sei ser só. Que sei ser de quem eu quiser. Que sei ser minha. E minha sempre serei.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Premissas



Coloque mais horas
em meu dia 
me convença
com premissas
da 
capacidade escondida
em meu peito
de
ainda
amar.